Viagem internacional
CVI e Vigiagro: o guia do trânsito internacional de animais saindo do Brasil
CVI e Vigiagro: o que é o Certificado Veterinário Internacional, como emitir online ou presencialmente, validade por destino e como voltar ao Brasil com o pet.
O Certificado Veterinário Internacional (CVI) é o documento sanitário oficial exigido para cães e gatos saírem legalmente do Brasil. É emitido gratuitamente por auditor fiscal do MAPA nas unidades do Vigiagro — online para os principais destinos — e tem validade curta, contada da emissão conforme o país de destino.
Nos guias das companhias aéreas deste portal — Copa, Air France-KLM e Iberia — detalhamos as políticas comerciais de cada empresa para viajar com pets. Mas existe um documento que nenhuma companhia aérea substitui: o CVI, Certificado Veterinário Internacional. Sem ele, seu cão ou gato não sai legalmente do Brasil, não importa a companhia ou o destino. Este guia explica o que é o CVI, o papel do Vigiagro, o passo a passo para emitir (inclusive online), os prazos por destino e como funciona a volta ao país. As informações foram verificadas em agosto de 2026 nas páginas oficiais do MAPA sobre sair do Brasil e entrar no Brasil com animais de estimação.
1. O que é o CVI e quem emite
O Certificado Veterinário Internacional (CVI) é o documento oficial emitido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) que atesta às autoridades do país de destino que o seu animal está saudável e cumpre todos os requisitos sanitários exigidos por aquele país. Ele funciona como um “atestado de saúde global” do pet — e é obrigatório para cães e gatos, e exigido pela maioria dos países também para outras espécies (coelhos, aves, répteis etc.).
Quem emite é exclusivamente o Auditor Fiscal Federal Agropecuário (AFFA) — médico veterinário concursado do MAPA — lotado nas unidades do Vigiagro, o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional. Nenhum veterinário particular pode emitir o CVI: o máximo que ele faz é o atestado de saúde que embasa o certificado.
A boa notícia: a emissão do CVI é gratuita — não há taxa governamental, como confirma a página oficial do serviço no gov.br.
2. O que é o Vigiagro (e o que ele faz na sua viagem)
O Vigiagro é o braço de fronteira do MAPA, instituído pela IN MAPA nº 39/2017: fiscaliza a entrada e a saída de animais, produtos e bagagens de origem agropecuária em aeroportos, portos e fronteiras. Na prática, para quem viaja com pet, o Vigiagro aparece em dois momentos:
- Na saída: análise dos documentos, emissão do CVI (ou legalização do Passaporte), leitura do microchip e conferência do animal;
- Na chegada: fiscalização dos documentos sanitários de quem entra no Brasil vindo do exterior.
Os postos ficam nos principais aeroportos internacionais — Guarulhos (GRU) e Galeão (GIG) funcionam 24 horas; os demais (Brasília, Confins, Viracopos, Recife, Salvador, Porto Alegre, Manaus etc.) têm horários variáveis, que devem ser confirmados antes de marcar o voo.
3. Documentos que você precisa juntar antes de pedir o CVI
Independentemente do destino, a base documental é:
- Requerimento de Fiscalização para Animais de Companhia — preenchido corretamente (atenção: “exportador” = tutor com endereço no Brasil; “importador” = tutor com endereço no destino);
- Atestado de Saúde no modelo do MAPA, emitido por médico veterinário registrado no CRMV, com a declaração oficial de que o animal foi examinado, está clinicamente sadio e apto ao transporte. Só a via original é aceita, e a validade varia por país (geralmente poucos dias);
- Carteira de vacinação, com a antirrábica em dia — a maioria dos países exige que a primeira dose tenha sido aplicada há pelo menos 30 dias (por isso, filhotes normalmente só viajam a partir dos 4 meses);
- Microchip padrão ISO 11784/11785, com comprovante assinado pelo veterinário — exigido pela maioria dos destinos;
- Documentos específicos do país de destino: sorologia da raiva (União Europeia), tratamentos antiparasitários, autorização de importação (import permit) etc.
4. Como funciona a emissão: online (e-CVI) ou presencial
O MAPA modernizou o processo, e hoje há duas vias, dependendo do destino.
Emissão eletrônica (e-CVI)
Para os principais destinos — Estados Unidos, União Europeia, Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai, Canadá, Colômbia, México, Peru, Bolívia, Venezuela, Japão e Reino Unido — o pedido é feito online pela plataforma do gov.br, usando sua conta GOV.BR. O fluxo é:
- Cadastrar a solicitação e anexar os documentos;
- O auditor do Vigiagro analisa (em até 48 horas) e aprova ou pede correções;
- Você recebe o CVI em PDF assinado digitalmente, com código de verificação de autenticidade.
Detalhes importantes do sistema atual:
- EUA: a solicitação do e-CVI passou a ser feita exclusivamente por médico veterinário habilitado na plataforma (ele precisa apresentar CRMV e certidão negativa do CFMV no primeiro acesso). Cães: pedido entre 5 e 2 dias antes do embarque; gatos: entre 10 e 3 dias antes;
- América do Sul e Canadá/México: solicitação entre 9 e 3 dias antes (México: até 14 dias antes);
- Chancela física: alguns destinos ainda exigem o carimbo físico do Vigiagro no CVI eletrônico — atualmente Bolívia, Canadá, Colômbia, México e Venezuela. Para Argentina, Chile, Paraguai, Uruguai e EUA, a chancela foi dispensada. Dica oficial do MAPA: não deixe a chancela para o dia do embarque; em Guarulhos há auditor exclusivo para chancelas das 14h às 16h, em dias úteis, no Terminal 3, sem agendamento.
Emissão presencial
Para destinos sem modelo eletrônico, o processo ainda é presencial: agende em uma unidade Vigiagro habilitada (com até 30 dias de antecedência), compareça com originais e cópias e, idealmente, com o animal, entre 10 e 2 dias antes da viagem.
5. Atenção ao relógio: a validade do CVI é curta
Este é o erro mais comum dos tutores. O CVI tem validade curta para entrar no país de destino, contada da emissão:
- EUA: cães, 5 dias; gatos, 10 dias — e vale para uma única viagem;
- União Europeia: emissão em até 10 dias antes do embarque;
- Demais países: geralmente entre 2 e 10 dias.
Se o voo for remarcado para fora da janela de validade, você precisa emitir um novo CVI.
Para o retorno ao Brasil, o CVI (ou o Passaporte legalizado) vale por 60 dias desde a emissão/legalização, desde que a vacina antirrábica continue válida. Viagem mais longa que isso? Você precisará de um certificado sanitário emitido pela autoridade veterinária do país onde estava.
6. Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos: a alternativa para viajantes frequentes
O Passaporte brasileiro de cães e gatos (IN MAPA nº 54/2013) é um documento sem validade, emitido uma única vez, que acompanha o animal por toda a vida. As diferenças em relação ao CVI:
| Critério | CVI | Passaporte |
|---|---|---|
| Validade | Por viagem | Vitalício (sem validade) |
| Aceito em | Qualquer destino | Mercosul, Colômbia, Brunei, Gâmbia e Taiwan |
| A cada viagem | Novo certificado | Apenas registro do exame clínico + legalização no Vigiagro (até 10 dias antes do embarque) |
Requisitos: animal com pelo menos 90 dias, nascido no Brasil (ou importado definitivamente), tutor residente no Brasil, microchip, atestado de saúde (10 dias) e presença do animal no Vigiagro para leitura do microchip. Vale muito a pena para quem viaja seguido para a Argentina, Uruguai ou Paraguai — em viagens futuras, o processo de legalização é bem mais rápido que emitir um CVI novo. Observação: para o Uruguai, o veterinário precisa registrar uma declaração específica sobre leishmaniose.
7. Exigências especiais dos destinos mais procurados
- União Europeia: microchip, antirrábica aplicada há pelo menos 21 dias e sorologia da raiva (título ≥ 0,5 UI/mL) em laboratório aprovado — coleta feita pelo menos 30 dias após a vacina, com carência que pode exigir meses de planejamento;
- Estados Unidos: além do e-CVI, o CDC Dog Import Form online, cão com 6+ meses, microchip e — se vacinado fora dos EUA vindo de país de risco — entrada apenas por aeroportos aprovados pelo CDC, conforme as regras do CDC; o protocolo completo está na página Viajar com animal para os Estados Unidos;
- Reino Unido: tratamento contra Echinococcus (tênia) 1 a 5 dias antes do embarque, registrado no certificado;
- Austrália, Japão e Nova Zelândia: os mais complexos do mundo — import permit prévio, múltiplos exames e, em alguns casos, quarentena;
- Destino sem modelo acordado: é preciso obter o import permit do país e peticionar eletronicamente via SEI/MAPA — o pedido vai a tratamento diplomático entre as autoridades sanitárias.
8. E a volta? Entrando no Brasil com seu pet
Na chegada, apresente-se ao posto do Vigiagro no desembarque internacional com:
- CVI de retorno (até 60 dias) ou certificado sanitário da autoridade veterinária do país de origem, em português, inglês ou espanhol;
- Vacina antirrábica válida;
- Microchip legível.
O fiscal lê o microchip, confere os documentos, inspeciona o animal e libera a entrada. Pontos que tranquilizam:
- O Brasil não exige quarentena para cães e gatos com documentação em ordem;
- Não há imposto sobre pet de estimação que acompanha o tutor — não entra na cota de US$ 500 da alfândega;
- Documentos em outros idiomas precisam de tradução juramentada;
- Se a documentação estiver incompleta, o animal pode ser retido (ou até devolvido), com custos por conta do tutor.
Outras espécies (coelhos, aves, répteis) exigem autorização de importação prévia do MAPA, e animais silvestres precisam ainda de licença do IBAMA.
9. Passo a passo resumido: saindo do Brasil com seu pet
- Defina o destino e consulte as exigências na página oficial do MAPA e no órgão sanitário do país (as regras mudam sem aviso — só valem as informadas oficialmente);
- Comece cedo: União Europeia pede meses (sorologia); destinos simples, pelo menos 30–45 dias;
- Microchip (se ainda não tiver) → vacina antirrábica → exames/sorologia exigidos;
- Atestado de saúde com veterinário CRMV, dentro da validade exigida pelo destino;
- Solicite o CVI: online via conta GOV.BR (destinos habilitados — nos EUA, o pedido é feito pelo veterinário) ou presencialmente com agendamento;
- Chancela física, se o destino exigir — resolva antes do dia do embarque;
- Confira o combo CVI + regras da companhia aérea (veja nossos guias de Copa, Air France-KLM e Iberia) e reserve o pet no voo;
- No dia do voo: originais em mãos, chegue cedo ao balcão;
- Na volta (até 60 dias): apresente o mesmo CVI legalizado ao Vigiagro, com a antirrábica válida.
10. Dicas finais de quem já passou pelo processo
- Emita o CVI 3 a 5 dias antes do voo — nem tão cedo que expire, nem tão em cima que um imprevisto vire tragédia;
- Em alta temporada (dez–jan e jun–jul), as agendas do Vigiagro em GRU e GIG lotam — antecipe-se;
- Dúvidas sobre o CVI online: cvi.vigiagro@agro.gov.br (mas não envie documentos por e-mail — a análise é só pela plataforma);
- Se o seu itinerário tem voo doméstico + internacional no mesmo dia, o CVI pode ser emitido na unidade do aeroporto de origem do voo doméstico — verifique se há Vigiagro habilitado lá;
- Considere o Passaporte se você viaja ao Mercosul com frequência;
- Guarde cópias digitais de tudo no celular e uma via impressa extra na bagagem de mão.
Aviso e nota de atualização
Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui aconselhamento jurídico, médico, psiquiátrico ou veterinário. As exigências sanitárias do trânsito internacional de animais são definidas pelo MAPA e pelas autoridades veterinárias de cada país, e podem mudar sem aviso prévio. Conteúdo verificado e atualizado em agosto de 2026 — confirme sempre as regras vigentes nas páginas oficiais do MAPA e junto à autoridade sanitária do destino antes de emitir passagens.
Conteúdo educativo
As informações desta página têm caráter educativo e não substituem consulta médica ou orientação do seu profissional de saúde. Cada caso deve ser avaliado individualmente.
Revisão médica
Publicado em por Dr. Luan Diego Marques Teixeira, médico psiquiatra (CRM-DF 20486, RQE 17403), professor de medicina em Brasília.
Fontes oficiais
Referências primárias usadas nesta página. Acesse sempre a fonte oficial para a versão vigente.
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Perguntas frequentes
O que é o CVI e quem pode emiti-lo?
O Certificado Veterinário Internacional é o documento oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) que atesta às autoridades do país de destino que o animal está saudável e cumpre os requisitos sanitários exigidos. Só pode ser emitido por Auditor Fiscal Federal Agropecuário lotado no Vigiagro — nenhum veterinário particular emite o CVI; ele apenas fornece o atestado de saúde que embasa o certificado.
Quanto custa emitir o CVI?
Nada. A emissão do Certificado Veterinário Internacional pelo MAPA é gratuita — não há taxa governamental, nem na via eletrônica (e-CVI) nem no atendimento presencial nas unidades do Vigiagro. Os custos da viagem ficam por conta de exames, vacinas, microchip, atestado de veterinário particular e as taxas da companhia aérea.
Qual é a validade do CVI?
Curta, e varia por destino: para os Estados Unidos, 5 dias para cães e 10 dias para gatos, valendo para uma única viagem; para a União Europeia, emissão em até 10 dias antes do embarque; demais países, geralmente entre 2 e 10 dias. Para o retorno ao Brasil, o CVI vale por 60 dias desde a emissão, desde que a antirrábica continue válida.
O que é o Vigiagro e onde ficam os postos?
O Vigiagro é o Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional do MAPA, instituído pela IN MAPA nº 39/2017, que fiscaliza a entrada e a saída de animais em aeroportos, portos e fronteiras. Os postos ficam nos principais aeroportos internacionais: Guarulhos e Galeão funcionam 24 horas; Brasília, Confins, Viracopos, Recife, Salvador, Porto Alegre e Manaus têm horários variáveis, a confirmar antes de marcar o voo.
Vale a pena fazer o Passaporte para Trânsito de Cães e Gatos?
Vale, para quem viaja com frequência ao Mercosul, Colômbia, Brunei, Gâmbia ou Taiwan. Instituído pela IN MAPA nº 54/2013, o passaporte é vitalício e emitido uma única vez: nas viagens seguintes, basta o registro do exame clínico e a legalização no Vigiagro até 10 dias antes do embarque — bem mais rápido que emitir um CVI novo a cada viagem.
O Brasil exige quarentena para pets que chegam do exterior?
Não. Cães e gatos com documentação em ordem — CVI do país de origem ou CVI de retorno emitido no Brasil há até 60 dias, vacina antirrábica válida e microchip legível — entram sem quarentena. O pet de estimação que acompanha o tutor também não entra na cota de US$ 500 da alfândega. Documentação incompleta pode levar à retenção ou devolução do animal.